A Organização Internacional do Trabalho (OIT) projetou que o número de desempregados chegará neste ano a 59 milhões de pessoas em todo o mundo. Isso contando com estudo a partir de 2007. No Brasil, Argentina, México e Venezuela, conforme avaliação dos especialistas deste organismo mundial, haverá uma retração no mercado de trabalho entre 22,6 milhões e 25,7 milhões de vagas. É apontado ainda que até o final deste ano será registrado, nos países citados, uma taxa de desemprego entre 8,1% e 9,2%.
Obviamente serão necessárias soluções cooperadas em prol do mundo do trabalho e o tripartismo, formado por entidades representativas das classes trabalhadora, patronal e do governo, é fundamental neste sentido, pois temos que buscar todos instrumentos para que haja equilíbrio nas relações, não só do capital e trabalho, mas também de quem define e implementa as políticas públicas.
Um assunto muito interessante trazido no seio das discussões do trabalho decente, durante a 98ª Reunião Organização Internacional do Trabalho, ocorrida neste mês em Genebra, Suíça, foi a defesa da promoção dos "empregos verdes", que está atrelado a uma nova postura no combate das mudanças climáticas, que neste processo já está gerando muitas oportunidades de trabalho.
Seja por meio de pesquisas, ou de atividades econômicas socioambiental responsáveis, o emprego verde já é realidade, exemplos são as atividades com foco na tecnologia ambiental e as fontes de energia renováveis, o turismo (conhecido como indústria sem chaminé) e a reciclagem.
Nem toda reciclagem é considerada politicamente correta, mas é interessante citar que a atividade é a principal, quando se fala de emprego verde no Brasil. Segundo o relatório sobre Trabalho Decente divulgado no ano passado pela OIT em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), são 500 mil brasileiros vivendo do trabalho com lixo. Isso parece muito, mas vale ressaltar que na China tem 10 milhões.
O emprego verde é a esperança de reverter via um modelo sustentável a escassez de postos de trabalho em nível mundial, sendo que inegavelmente há muita vulnerabilidade em relação ao emprego diante dos efeitos globais da crise, mas há também muitas alternativas para superação.
Percebe-se que no Brasil é crescente a multiplicação de ações e projetos focados na preservação ambiental, colocando a reciclagem para gerar diversos produtos que inclusive promovem a inclusão social, um exemplo é o artesanato, que pode até mesmo transformar as pessoas criativas numa espécie de agentes ecológicos.
Em Mato Grosso, o governo, através da Secretaria de Indústria, Comércio e Minas e Energia (Sicme) propõe estratégias para garantir o papel dos artesãos na economia produtiva, através de um programa que incentiva o desenvolvimento da capacidade empreendedora, ao mesmo tempo que possibilita uma organização do segmento, para atuação diferenciada. Verifica-se, na produção destes profissionais, a utilização de materiais reciclados, a exemplo do plástico, vidro, papel, couro de peixe, fibra, sementes e resíduos de madeira. Na era do emprego verde, é fundamental potencializar as muitas oportunidades para aqueles que querem conquistar um mercado, que já é competitivo.
Autor:Pedro Nadaf é secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia e presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-MT





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